Trabalho remoto e coronavírus: o que podemos aprender com isso?

por Daniel Bogomoltz
7 min de leitura.

Com o avanço do coronavírus na China e a recomendação de que as pessoas nas regiões mais afetadas permaneçam em suas casas, o país asiático poderá viver a maior experiência de home-office do mundo.

Após o período de férias, devido ao Ano Novo Lunar, as empresas precisam encontrar alternativas para continuar operando diante de um cenário extremamente complexo. O trabalho remoto, portanto, tem sido a principal estratégia adotada.

Como as viagens à China não são viáveis nesse momento e as pessoas não podem estar no escritório, o uso de ferramentas de videoconferência aumentou significativamente desde o início da crise do coronavírus. Um dos recursos mais conhecidos é o Zoom, que, além de observar um aumento significativo no valor de suas ações, vem registrando recordes de utilização dia após dia.

É evidente que se trata de uma crise de escala global e que, infelizmente, ainda não se sabe qual a proporção que poderia alcançar se não for possível impedir a proliferação do vírus o mais rápido possível. De qualquer forma, essa também é uma oportunidade para as empresas que ainda estão céticas em relação ao modelo de home-office pensarem melhor nessa possibilidade. Para as empresas que já o adotam, é a possibilidade de estendê-lo a mais colaboradores ou diminuir as horas trabalhadas no escritório e aumentar o expediente em casa.

Motivados ou não por essa situação crítica, deixamos algumas recomendações para que o trabalho remoto possa ser bem-sucedido em sua organização e fortalecer o employee experience:

  1. Alinhar e comunicar expectativas

    A convivência diária ajuda o colaborador a entender e interpretar as atitudes do seu líder, na medida em que fornece um contexto sobre as expectativas que ele tem sobre seu trabalho.

    Por não ter o funcionário presente todos os dias no escritório, o líder deve ter a capacidade de transmitir de maneira muito clara quais são seus objetivos, em quais atividades ele deve estar envolvido e o que se espera de seu trabalho.

    Portanto, a comunicação é fundamental em um processo de liderança à distância e a prática constante de feedback é decisiva para que o colaborador se sinta apoiado.

  2. Promover a proximidade

    Mesmo se você estiver fisicamente ausente, um colaborador que está trabalhando em casa pode - e deve - se sentir próximo não apenas do seu líder, mas também da sua equipe de trabalho. Como conseguir isso? Nesse quesito, a tecnologia é uma aliada. Além das videoconferências para reuniões, como já mencionamos, ferramentas como redes sociais internas, nas quais os colaboradores podem fazer upload de conteúdo e interagir com seus pares, fortalecem os vínculos entre eles, além de aprimorar a cultura organizacional.

    Para que as coisas não permaneçam sempre no virtual, é aconselhável reunir toda a equipe ocasionalmente, no escritório ou em outro local, para que os colaboradores possam integrar-se ainda mais.

  3.   Desenvolver e dar visibilidade ao talento

    Acompanhar efetivamente um colaborador remoto e conhecer seus pontos fortes e fracos, suas habilidades e interesses profissionais exigirão tempo, método e disciplina para que o líder possa desenvolver esse talento à distância. O agendamento de reuniões periódicas face to face e conversas ocasionais sobre carreira são estratégias simples, mas valiosas. Também é importante lançar mão de ferramentas como assessments e avaliações por competências.

    O caminho para promover o desenvolvimento pode passar também por dar ao colaborador mais responsabilidades e propiciar situações nas quais ele pode ter mais exposição dentro e fora da empresa: apresentar um projeto ao conselho de administração, realizar uma reunião com um cliente importante e ministrar uma palestra em um evento são alguns dos exemplos. Apesar de trabalhar remotamente, o colaborador não pode se sentir isolado ou "invisível".

  4. Promover o engagement

    O trabalho remoto está deixando de ser considerado um benefício especial para se tornar uma expectativa ou até mesmo uma exigência dos colaboradores. De acordo com um estudo publicado pela Owl Labs, 71% dos entrevistados indicam que a possibilidade de trabalhar remotamente aumentaria a probabilidade de escolher um empregador em detrimento de outro no próximo emprego. Ele revela também que mais da metade dos trabalhadores que atuam exclusivamente no escritório deseja começar a trabalhar remotamente.

    Essa flexibilidade no trabalho afeta diretamente o comprometimento dos colaboradores. Segundo o Gallup, o melhor nível de engajamento é observado entre os funcionários que passam de 60% a 80% do tempo trabalhando remotamente, o que representa três a quatro dias em uma semana de trabalho de cinco dias.

    Por terem a possibilidade de trabalhar em casa, os colaboradores sentem que podem melhorar sua qualidade de vida, uma vez que o tempo gasto anteriormente com o deslocamento pode ser melhor utilizado para regular o sono, realizar exercícios, estar com a família, etc.


    O trabalho remoto é uma realidade cada vez mais presente em empresas de diferentes tamanhos e setores, altamente valorizada pelos colaboradores e comprovadamente eficaz em termos de produtividade e engajamento. Apesar de ser a única alternativa viável em momentos de crise, nos quais as pessoas não podem se reunir, o ideal é que as empresas o adotem de maneira genuína, a fim de tornar o trabalho remoto um aliado importante para fortalecer sua marca empregadora e melhorar a experiência de seus colaboradores.

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Daniel Bogomoltz
Escrito por Daniel Bogomoltz

Country Manager, GOintegro Brasil

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